Por que não proibir o WordPress (ou Pricasso e sua arte peniana)

Isto não é um blogue sobre esportes nem, muito menos, exclusivamente sobre futebol. Na verdade, eu gostaria que não fosse exclusivamente sobre nada, pois a envergadura do olhar eu confesso que, ao meu ver, é uma das qualidades mais admiráveis num cronista. Essa é a principal razão por que me ressinto de aludir ao esporte mais bonito do mundo assim repetidamente. Sem contar que também me aflige de antemão o fato de alguma eventual leitora acoimar esta coluna de machista ou pouco sensível aos aspectos menos viris da existência. O que, por si só, seria machismo da leitora, e não meu. As circunstâncias, no entanto, me obrigam a comentar o que acho um dos acontecimentos mais importantes dos últimos anos, no mundo da bola. Eu me refiro à anunciada transferência do Ronaldinho, possivelmente o jogador mais habilidoso da história do futebol, do Barcelona pra algum time que tenha a felicidade de convencer o seu irmão e empresário de que o negócio vale a pena. Andam dizendo que o vice-presidente do Milan, esta semana ainda, vai pessoalmente à Espanha pra fechar o acordo. É verdade que também andam dizendo que o Manchester City, o Chelsea e até um tal de Beijing Guam, da China, estão dispostos a contratar o brasileiro; mas, como o Ronaldinho não chegou ainda em fins de carreira nem deve tar disposto a se estressar no Chelsea, onde até o Shevchenko botaram no banco, é mais do que provável que ele vá parar no Milan mesmo.

 Essa é uma daquelas transferências que desencadeiam uma série de mudanças de grande relevância. Em primeiro lugar, como é óbvio, o Milan teria o meio-campo da seleção brasileira, que só não tem rendido porque não tem um técnico à altura da equipe. Daí em diante, vem uma série de efeitos indiretos que devem inaugurar uma nova fase no futebol, depois de alguns anos de estagnação. Além da evidente chance de o Ronaldinho voltar a jogar com tranqüilidade, a saída dele do Barcelona coloca maior responsabilidade sobre a atuação do Messi, cuja competência deve ser posta a prova nos próximos anos. Ainda mais porque o atual treinador, que também atende pelo nome de Djavan, só deve permanecer na equipe até a eliminação da Champions League, a qual aliás, sem o Ronaldinho, não deve demorar muito. Depois da saída do Djavan, então, que por alguma razão desconhecida tem uma queda pelo tradicional esquema tático holandês, não acredito que o próximo ocupante do cargo seja muito afeiçoado ao esdrúxulo 4-3-3 com um ponta de cada lado, ainda que o sucesso do Barcelona tenha feito essa barbaridade virar moda de repente. Num novo esquema, portanto, Deco e Messi devem ser elevados à função de estrelas principais da equipe, de modo que todas as jogadas devem ser responsabilidade dos dois. É um meio-campo bastante ágil e habilidoso; o meu palpite, porém, é que, assim como aconteceu com o Robinho, o Messi deve com o tempo se transformar numa peça importante, sem que um time possa depender inteiramente dele. Quem deve ocupar essa função com facilidade - até uma porta percebe isso - é o Cristiano Ronaldo, que uma hora ou outra deve ser eleito o melhor do mundo. E talvez a saída do Ronaldinho da Espanha crie a possibilidade pra ele ir ou pro Barcelona ou pro Real Madrid, como há algum tempo supõem as más línguas que aconteça. E no futebol espanhol, mais aberto que o inglês, o português podia muito bem atingir o auge que o Ronaldinho atingiu anos atrás.

A última consideração sobre esse assunto diz respeito à possibilidade de o Milan vir a ter não só o meio-campo da seleção brasileira, mas o ataque inteiro,  se o Alexandre Pato satisfizer as esperanças da torcida, como eu mesmo espero. Não que ele seja um prodígio ou coisa desse tipo, mas há muito tempo que não aparece um centroavante goleador e habilidoso como ele: que o diga o Wagner Love. De qualque forma, ainda falta muito pra que alguém preencha a lacuna deixada pelo Romário e pelo Ronaldo, que são realmente uma nuvem pesada que paira sobre qualquer um que tenha a obrigação de fazer gol na seleção. O Adriano até que parecia tar indo bem, até resolver chutar o balde. A verdade é que não há nenhuma restrição quanto à farra, à indisciplina ou à micareta. O sujeito só tem que entrar na merda do campo e fazer gol. Agora, se o meu querido não tem a capacidade de fazer que nem o Romário, que varava a noite e ainda fazia gol, eu acho melhor não tentar ser o Romário. Porque o Romário é o Romário, peixe.

 

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Na Gazeta do Povo de ontem, sábado, a capa trazia duas fotos em destaque no alto da página: uma do Machado de Assis, outra do Lulu Santos. Por incrível que pareça, a que mais me chamou a atenção foi a do Lulu Santos. Eu não conheço muito bem a carreira desse cidadão; portanto, me corrijam se eu tiver equivocado. Mas é que eu nutria, ainda que mal resolvida, a percepção de que ele tinha como público o mesmo público, com certas exceções, que o Charlie Brown Jr., que com certas exceções tem o mesmo público que a novelinha Malhação, da Rede Globo. Agora, pela foto que estamparam na Gazeta, não sei se é uma calúnia do jornal, mas parece que o Lulu Santos anda flertando com o público da Punky, a Levada da Breca. Me corrijam se eu tiver errado.

 

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Outro dia mesmo, não sei se quarta ou quinta, começou a correr pela Internet a notícia de que o WordPress seria proibido no Brasil. Um tal de Maury Ângelo Bottesini, juiz da 31.ª Vara Cível de São Paulo, teria determinado que se impedisse o acesso a um blogue do WordPress; e, como não é possível proibir um blogue só, mandou pois que se interdite o saite inteiro, com todos os blogues que tem dentro ou fora dele. Não sei se o juiz tinha noção do número de pessoas que essa decisão afetaria, mas uma boa parte delas já tratou de se levantar em nome das demais. É fácil de imaginar o tipo de reação que alguns mais apaixonados demontraram: a mais comum é a alegação de que essa atitude do juiz seria mais uma tentativa dos poderosos pra abafar a voz dos que livremente tem criticado o governo e denunciado as mazelas do poder público em geral. Eu, pessoalmente, não alego nada; mas, sem dúvida, o caso é uma falta de bom-senso. Segundo os próprios queixosos, haveria hoje mais de um milhão de blogues administrados através do WordPress, e desse número não poucas pessoas devem ganhar dinheiro através dos blogues, e evidentemente o problema aqui, como em outros lugares, é financeiro. Eu, por exemplo, que acabo de criar esse blogue, só teria a lamentar a necessidade de buscar outro terreno pra plantar minha horta doméstica, que ainda não rendeu nem um limãozinho sequer. E a verdade é que só vim parar no WordPress pela influência do meu amigo André Simões. Fui ver, mesmo, se não era mais fácil arranjar um espaço no Blogger; mas, em algum momento do cadástro, apareceu uma mensagem dizendo que, pra ter um blogue lá, eu devia ser assinante da Globo.com. Nem conferi mais: fechei a janela e fui fazer o blogue no WordPress. De qualquer forma, porém, eu dou toda a razão aos insatisfeitos, e acho inclusive que os donos deste saite, onde sou novo ainda e não conheço ninguém, hão de achar a solução mais adequada. O que não tira a responsabilidade que todo interessado tem em se manter informado sobre o andamento desse caso.

É esse, portanto, o motivo principal dessa crônica de hoje. Me explico. Não só os donos de blogues tem o interesse de publicar o seu material e, eventualmente, lucrar com ele, como o público em geral tem o dever de zelar pela manutenção de um instrumento tão importante no sentido de criarmos uma sociedade mais bem esclarecida sobre as questões mais prementes da atualidade. Assim, pensando em promover a divulgação do extraordinário trabalho desenvolvido pelo WordPress junto à sociedade brasileira é que eu inauguro hoje o primeiro capítulo de uma série de cinco posts que eu, encarecidamente, recomendo, em razão da sua incomensurável relevância. O primeiro dos motivos por que o WordPress não deve de jeito nenhum ser proibido, pois, é ele: o grande Pricasso.

2 Responses to “Por que não proibir o WordPress (ou Pricasso e sua arte peniana)”

  1. boneco Says:

    Falando assim… Nem parece o cara que joga na retranca e vem com aquela merda de contra-ataque, com direito a gol de meio-de-campo, apelação, com o Zidane.

  2. jacqueshukosay Says:

    Com o Ronaldinho no Milan, quero ver quem ganha de mim: Kaká, Ronaldinho, Pirlo, Gattuso… Só craque no meio-campo!

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